Malásia:

O porquê de ser um país surpreendente

Tailândia, Camboja, Vietname, Laos. Eram estes os destinos com que sonhávamos na preparação da nossa viagem à Ásia sem data de volta. Índia e Nepal também nos passavam pela cabeça (e ainda passam!) mas isso será outro projeto para o futuro. China também nos fascina mas os nossos sonhos começaram a descer para sul: Indonésia, Timor-Leste.

Queremos percorrer o máximo caminho que nos for possível por terra, evitando voos. Assim veremos mais de cada país.Definimos nós. E é assim que, como consequência, entre a Tailândia e a Indonésia, surge ali a Malásia: um destino do qual pouco conhecíamos e que pouca expectativa nos suscitava.

Diversidade cultural

67% de muçulmanos. 18% de budistas. 9% de cristãos. 5% de hindus. 1,3% de confucionistas, taoistas e outras religiões tradicionais chinesas. Dizem os números acerca das religiões com presença na Malásia.
E isso vê-se claramente. Dizemos nós após trinta e um dias em terras malaias.

Claro que se veem cidades e regiões tipicamente mais muçulmanas ou mais budistas. Mas há regiões, cidades, bairros e até ruas onde todos se misturam. Onde todos coabitam tranquilamente e todos convivem de forma natural.

É fantástico andar por George Town, na ilha de Penang, e ver um templo hindu, encontrar logo a seguir uma mesquita e mais à frente uma igreja… tudo na mesma rua numa convivência tolerante e pacífica. E isso transpõem-se naturalmente para outros aspetos culturais: tradições, formas de vestir, gastronomia e até formas de comer. Ao almoço podemos experimentar comer com as mãos um picante prato de caril ou as indianas chamuças. E ao jantar comer com pauzinhos uma sopa de noodles chineses.

Um sortido de experiências

Durante os oito meses de viagem fomos planeando quase de um dia para o outro para onde ir a seguir. Mas a determinada altura tivemos de parar e pensar nos traços gerais do resto da viagem que faríamos pois implicaria voar de Singapura para a Indonésia e da Indonésia para as Filipinas, uma vez que teríamos dois amigos a visitar-nos em Bali. Então vimo-nos obrigados a definir aproximadamente quanto tempo estaríamos em cada destino.

Quinze a vinte dias na Malásia hão de chegar. Pensávamos nós quando ainda estávamos no Myanmar e pouco tínhamos pesquisado sobre a Malásia. Enganámo-nos. Assim que nos começamos a envolver naquilo que a Malásia tem para oferecer, começámos a perceber que os trinta e um dias que, no máximo, tínhamos para passar na Malásia, não eram suficientes.

Logo para começar, a Malásia divide-se na parte peninsular (a sul da Tailândia e a norte de Singapura) e na parte insular situada na ilha do Bornéu. Ora, claro que não quisemos perder a oportunidade de passar por esta ilha: a maior da Ásia e a terceira maior do mundo.

Na Malásia Peninsular temos pequenas ilhas de praias fantásticas tanto na costa oeste, por exemplo em Langkawi, como na costa este, como é o caso das ilhas Perhentian. Passámos cinco dias na ilha Perhentian Kecil e não nos cansámos. Não só pelas praias paradisíacas (na nossa opinião, muito menos turísticas e muito mais surpreendentes do que as tão famosas praias tailandesas) mas muito também pela diversidade marinha que facilmente se encontra ao entrar no mar (podem ler mais sobre esta experiência aqui). E isto são só os exemplos pelos quais passámos, pois existem muitos mais dos quais também ouvimos maravilhas, como por exemplo as ilhas Tioman.

Além de praias, há três cidades a não perder na Malásia: a capital Kuala Lumpur, a variada cidade de George Town e a portuguesa Malaca.

Os Cameron Highlands são paragem obrigatória para relaxar na natureza e visitar as extensas plantações de chá. Já para uma aventura na selva, o melhor é ir até ao Parque Nacional Taman Negara, no centro do país (descobre como quase nos perdemos no Taman Negara aqui).

Isto tudo só na Malásia Peninsular, pois na Malásia Insular há muito mais a descobrir. O que mais nos surpreendeu na Ilha do Bornéu foi o contacto com a natureza e a biodiversidade: ver os orangotangos em Sepilok e navegar no Rio Kinabatangan à procura de crocodilos, macacos e aves de todas as espécies, foram das melhores experiências de toda esta viagem (sabe mais sobre a nossa passagem pelo Bornéu aqui).

E ainda havemos de lá voltar para subir ao Monte Kinabalu, visitar o Parque Nacional Mulu e mergulhar com as tartarugas e as mantas na ilha de Mabul. A quantidade de sítios e experiências fascinantes na Malásia parece não ter fim!

Fala-se inglês na Malásia?

Perguntam-nos sempre: Como é que comunicavam na Ásia? Fala-se inglês por lá? Generalizando: não. Na maioria dos sítios por onde passámos os habitantes locais não falam inglês.

Então como é que se faziam entender? Isso, com boa vontade, desenrasca-se sempre. Meia dúzia de palavras em inglês mais meia dúzia na língua local que tentávamos sempre aprender, apontando ou até usando o tradutor, lá nos fazíamos entender.
Mas, surpreendentemente, na Malásia a comunicação acabou por se mostrar mais fácil. Não sabemos bem o porquê mas talvez seja a diversidade cultural que eleva o nível global de inglês no país. Ou talvez seja o facto de o país ter sido controlado pelo Reino Unido nos anos 40 e 50, fazendo com que essas gerações tivessem um maior contacto com a língua inglesa. Ou também pode dever-se ao acentuado crescimento económico e turístico que o país tem alcançado nos últimos anos. A Malásia é hoje categorizada como um dos Novos Países Industrializados e o seu PIB tem vindo a crescer devido à grande indústria exportadora (principalmente de petróleo e gás natural) mas também devido ao crescimento e investimento tecnológico.

Não significa que toda a gente fale inglês na Malásia nem que se ouve inglês nas ruas. Mas não sentimos uma barreira de comunicação tão grande como na maior parte dos outros países do Sudeste Asiático. Um maior desenvolvimento, mais oferta, mais transportes, maior facilidade em perceber como as coisas funcionam… tudo isto faz com que seja mais fácil viajar neste país.

Uma capital limpa

Banguecoque, Phnom Penh, Hanói, Yangon, são algumas das capitais de países por onde já tínhamos passado quando chegámos à Malásia. Esperávamos de Kuala Lumpur mais uma capital suja, confusa, onde o pesado nível de poluição cansa.
Mas surpreendemo-nos logo da primeira vez que lá chegámos: deparámo-nos com uma cidade relativamente limpa e organizada.

Por causa das várias voltas que fomos dando na Malásia (descemos primeiro pela costa oeste até KL, voamos para o Bornéu, voltámos a KL, fomos para a costa este, voltámos a KL para seguir para sul), acabámos por passar duas ou três vezes por Kuala Lumpur permitindo-nos explorar várias áreas da cidade e obrigando-nos a perceber como melhor nos movimentarmos.

E a cada uma destas passagens por esta grande cidade fomos confirmando cada vez mais a surpresa com que nos deparámos da primeira vez: contrariamente às outras e ao esperado por nós, afinal a capital malaia mostrou-se bastante agradável.

Presença Portuguesa

Todos reconhecemos facilmente os nomes mais sonantes das colónias que um dia fizeram parte do Império Português: Brasil, Angola, Moçambique, Timor-Leste, São Tomé e Príncipe, Goa, Macau, Bissau, …

Então e Malaca? Sim, Malaca é um dos atuais estados da Malásia e foi um dia uma colónia portuguesa. Durante 130 anos (nos séculos XVI e XVII), Portugal ocupou este território acabando, no entanto, por o perder para a Holanda.

Infelizmente não tivemos oportunidade de visitar esta cidade nem o legado e marcas que nos disseram ainda existentes no Bairro Português. Mas mesmo noutros locais do país, quando dizíamos que somos portugueses, com um sorriso referiam-nos a estreita e terna relação que esta pequena cidade malaia tem com Portugal e com o povo português.

E é assim que a Malásia passa de um país fora dos planos para um dos países mais surpreendentes desta viagem. É verdade que também fruto de baixas expectativas e falta de conhecimentos prévios, mas muito mais fruto da rica realidade que este país tem para nos mostrar.

Claro que nunca sabemos previamente quanto será o tempo ideal e suficiente num destino. Isso depende de vários fatores e, principalmente, das vontades de cada um. Mas, quanto a nós, numa próxima já pensaremos: será que dois meses na Malásia vão chegar? 😉​

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