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Os Kayans

A nossa visita à tribo dos pescoços longos na Tailândia

Durante a volta de mota à região de Mae Hong Son, no Noroeste da Tailândia, a curiosidade em ver a tribo dos pescoços longos levou-nos a fazer um desvio na nossa rota até à aldeia de Huai Sue Tao.

Estacionada a mota, caminhávamos pela aldeia quando uma senhora à janela de sua casa simpaticamente nos chamou, convidando-nos a entrar. Lá fomos, juntando-nos à mesa a alguns dos seus familiares. Além de nos acolher na sua casa oferecendo-nos almoço, deixou-nos à vontade para lhe colocarmos as questões que quiséssemos.

Mar Wai era o seu nome. Utiliza anéis de bronze ao pescoço desde os 5 anos de idade. Hoje tem 34 anos e 24 anéis que pesam 4 quilos no total! A Mar Wai cresceu a ver a sua mãe e a sua avó com este tipo de anéis ao pescoço e sentiu que queria seguir a tradição. Nunca os tira, utilizando-os 24 horas. Disse-nos que ninguém é forçado a utilizar os anéis, mas que apenas as mulheres o podem fazer, sendo 30 o número máximo de anéis que é possível colocar, pesando entre 6 e 8 quilos! A qualquer idade as raparigas podem decidir se querem ou não seguir a tradição, não sendo essa decisão definitiva.

Kay Htein Bo: o festival Kayan mais importante do ano

Era domingo e dia de festa na aldeia. Por isso, a Mar Wai queria que todos entrassem em sua casa e celebrassem com ela e com a sua família. Tivemos imensa sorte em, por acaso, visitar esta comunidade num dos três dias do festival mais importante do ano: o Kay Htein Bo. Descobrimos posteriormente que esta festa comemora a crença em que o seu Deus criou a Terra ao erguer um mastro de madeira no solo.

Estivemos entretanto à conversa com o Isaac, um jovem professor na escola de uma aldeia vizinha. Falou-nos um pouco sobre a cultura e tradições Kayans e levou-nos a ver o resto da aldeia e o local mais importante das celebrações que certamente nunca descobriríamos por nós próprios. É o local onde todos os anos colocam um novo mastro de madeira trazido da selva e dançam durante estes dias em torno do mesmo. Vimos ainda algumas destas danças e não podíamos deixar de provar o típico vinho de arroz!

Quem são os Kayans?

Após uma pesquisa posterior, descobrimos que os Kayans são um povo original do Myanmar, antiga Birmânia, que nos anos 80 fugiu das suas terras para a Tailândia devido aos conflitos no seu país. Foram, na altura, alojados em campos de refugiados, sendo anos depois distribuídos pelas aldeias da região Mae Hong Son. Histórias dizem ainda que as mulheres da tribo dos pescoços longos começaram já na altura a ser alvo das atenções de visitantes e, por isso, o governo da Tailândia viu neste povo interesse turístico e económico, espalhando-o pela região de maneira a atrair mais curiosos.

Muitas destas pessoas não têm documentos de identificação nem sequer cidadania, nem birmanesa nem tailandesa. Disse-nos o Isaac que a documentação de cidadania é muito cara e difícil de obter e que sem esta documentação não são autorizados a sair daquela zona… de facto, ao longo desta viagem pela região de Mae Hong Son, região fronteiriça ao Myanmar, vimos muitos locais de controlo pelo exército tailandês. Nós nem precisávamos de parar nos chamados checkpoints, mas muitas daquelas pessoas seriam presas se tentassem sequer passar para o resto do país.

Passadas décadas desde que a tribo dos pescoços longos chegou à Tailândia, as famílias têm as suas vidas aqui estabelecidas e não querem voltar para o Myanmar. No entanto, apesar de as condições de vida na Tailândia serem melhores (segundo nos disse o Isaac), estas pessoas continuam restritas geograficamente a uma região. Não podem ir e conhecer o mundo, não podem tentar uma vida melhor noutro lugar.

Visitar ou não visitar?

Devido à exploração turística que este tipo de lugares apelidados de remotos ou tribais são muitas vezes submetidos, estávamos inicialmente reticentes em ir visitar uma aldeia Kayan, em busca de ver e conhecer a tribo dos pescoços longos.

Mas desta vez ficámos mesmo muito contentes por termos ido e também muito agradecidos por termos tido a oportunidade de conhecer melhor esta cultura pela boca dos próprios locais. Viajar de forma independente tem destas coisas inesperadas que acabam por se tornar memoráveis! 🙂

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