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Road trip pela Andaluzia: roteiro de 7 dias por Sevilha, Granada e Córdova

Pessoas em cima da Ponte Nova de Ronda, paragem numa road trip pela Andaluzia

Fazer uma road trip pela Andaluzia não foi apenas uma forma prática de deslocação: foi a inigualável oportunidade de testemunhar o contraste entre a vivacidade das cidades andaluzas e a placidez dos vales que as separam.

Durante 7 dias, a estrada desenhou-se num itinerário de paragens inevitáveis. Sevilha, o evidente ponto de partida, impôs-se pela intensidade da dança e pela vida que se desdobra nas ruas. Córdova contou-me a história de séculos de culturas sobrepostas nas sombras da judiaria e dos pátios floridos. Granada ergueu-se aos pés da Sierra Nevada com a Alhambra a dominar a paisagem. E para recordar os cenários dramáticos que a geografia andaluza também pode ter, surgiu Ronda, rasgada sobre o abismo.

Este roteiro nasceu da experiência no terreno e de várias horas ao volante. Reuni aqui o itinerário, as recomendações e dicas práticas para organizar uma road trip pela Andaluzia ao teu próprio ritmo, aproveitando o melhor de cada paragem.

Planear a viagem: o que precisas de saber antes de ir

Qual a melhor época para visitar o sul de Espanha?

A Andaluzia é uma região de contrastes no que toca ao clima, famosa pelo sol, que no verão pode ser implacável, e famosa pelo rígido frio invernal.

Entre julho e agosto, cidades como Sevilha e Córdova chegam aos 40 °C, o que torna insuportável passear pelos seus bairros históricos nas horas mais quentes do dia, desaproveitando-se o tempo disponível.

A minha road trip pela Andaluzia foi no final de novembro e início de dezembro, um outono que já se sentia inverno pelas baixas temperaturas principalmente em Granada. Ainda assim, os dias estavam soalheiros, o que trouxe um semblante idílico às paisagens e aos recantos das cidades. Esta será uma boa altura para quem procura preços mais baixos e menos pessoas.

Ainda assim, a primavera e o outono serão certamente as escolhas certas para quem prefere um bom clima. Entre abril e junho, ou em setembro e outubro, as temperaturas serão mais agradáveis (entre os 20 °C e os 28 °C), tornando os passeios mais aprazíveis.

Pessoa a sorrir na Praça de Espanha em Sevilha
Paisagens amplas pelos planaltos de Andaluzia em tons de laranja e verde

Como chegar desde Portugal?

Optei por viajar de autocarro desde Lisboa até Sevilha, porque os horários permitiam-me começar as 7 horas de viagem bem cedo e ainda aproveitar a tarde toda na cidade. Existem várias opções diárias com a Flixbus e os preços são imbatíveis. No meu caso ficou a 20 €! Regressei, porém, de avião com a Ryanair, também desde Sevilha, cuja viagem ficou a 48 €.

Também podes optar por voar na ida e no regresso, para Sevilha ou mesmo para Málaga, se quiseres incluir esta cidade no teu roteiro pela Andaluzia. Existem vários voos por semana (no verão até diários) entre estas cidades e o Porto e Lisboa.

Ainda há outra opção: podes levar carro desde Portugal, sendo que terás de conduzir todo o caminho e terás de o estacionar em Sevilha (algo que quis evitar desde logo!).

Vale a pena alugar carro na Andaluzia?

Não tenho dúvidas de que vale a pena alugar carro para uma road trip pela Andaluzia, a não ser que o número de pessoas justifique a ida no teu próprio carro desde a origem. Nesse caso considera o total das despesas de portagens, combustível e desgaste do automóvel. Para duas pessoas, por exemplo, parece-me que não justifica e que o melhor é alugar o carro a partir do dia em que se sai de Sevilha até ao dia em que se chega à cidade. No meu caso, aluguei carro através da Discover Cars para 4 dias, e ficou a 75 € já com a cobertura total de seguro. O combustível para todos os quilómetros da road trip custou 50 €.

Em Sevilha podes optar por levantar e entregar o carro no aeroporto ou na estação de comboios de Santa Justa. Para que se torne mais eficiente, tens de planear bem: se chegares de avião e quiseres logo arrancar na viagem de carro, deixando a visita a Sevilha para o final, então levanta o carro no aeroporto. Mas se vais explorar esta cidade primeiro, então é mais prático fazê-lo na estação de Santa Justa, que fica mais central evitando a deslocação até ao aeroporto.

Segundo o roteiro que te deixo abaixo, que foi o que eu fiz, é mais prático optar por recolher e devolver o carro na estação.

Transeuntes numa rua larga de Sevilha

Como estacionar sem stress numa road trip pela Andaluzia?

Em Sevilha e em Granada, recomendo vivamente que procures alojamentos com estacionamento ou então terás de optar por parques pagos. No caso de Granada utilizei o Parking Triunfo que, com um vale do alojamento, ficou a 18 € por dia.

Em Córdova existe um parque do outro lado do rio, nesta localização, que embora seja gratuito tem comentários negativos reportando situações de pessoas a cobrar indevidamente no local. É preciso ter atenção! Eu acabei por pagar o estacionamento do alojamento onde me hospedei para ficar mais descansada.

Na passagem breve por Ronda, estacionei também num dos parques públicos gratuitos, a 10 minutos a pé do centro, nesta localização.

Quais as despesas em transportes numa viagem pela Andaluzia?

Para que possas estimar de forma mais realista quanto podes vir a gastar em transportes neste roteiro pela Andaluzia, partilho agora os gastos que tive. Considera que o preço do combustível na altura era cerca de 1.70 € por litro e que os valores são por pessoa numa viagem de duas pessoas:

      • 20 € Autocarro Lisboa – Sevilha
      • 45 € Voo Sevilha – Lisboa, apenas com item pessoal
      • 37,50 € Aluguer do carro com Seguro Total
      • 25 € Combustível
      • 27 € Estacionamentos
      • 8 € Autocarros locais em Granada e Sevilha

O total de despesas em transportes foi de 162,50 €. Se forem mais pessoas, ficará mais económico pela partilha das despesas do carro.

Como organizar a visita à Alhambra em Granada?

A Alhambra é uma das personagens principais destas terras do sul de Espanha, por isso esta é uma das questões mais importantes ao organizar uma viagem pela Andaluzia. Escrevi um artigo dedicado a como comprar os bilhetes para a Alhambra, em que ordem visitar as várias zonas deste monumento, como lá chegar, além de uma série de dicas básicas para conhecer a graciosa cidade que acolhe este lugar classificado como Património Mundial pela UNESCO: Granada e a Alhambra: a herança árabe e o charme das ruelas.

Vista de cima para o Alcazaba da Alhambra em Sevilha, com pessoas a passear e vegetação ao fundo
Jardim e fontes compridas do Generalife, entre paredes do edifício

Sevilha: o ponto de partida (Dias 1 a 3)

Se há cidade onde o espírito andaluz se sente a cada esquina, essa cidade é Sevilha. Capital da região, combina uma monumentalidade impressionante com um ambiente audaz marcado por ruelas floridas, esplanadas animadas e o eco do flamenco.

Numa road trip pela Andaluzia, é essencial dedicar-se a Sevilha pelo menos dois dias. O ponto de partida é o coração histórico, onde se evidencia o Real Alcázar que, embora eu não tenha visitado por dentro (estava a guardar-me para a Alhambra, em Granada), diz-se um esplendor da arquitetura mudéjar com os seus jardins e pátios detalhados. Logo ao lado, demorei-me a observar os admiráveis pormenores do exterior da Catedral de Sevilha e os 104 metros de altura da Torre da Giralda.

Quatro pessoas em palco num Tablao de Flamenco em Sevilha
Passeio longo dos Jardins de Murillo em Sevilha

Seguiram-se as ruas estreitas do Bairro de Santa Cruz, a antiga judiaria, e a geometria do Jardins de Murillo, numa deambulação sem rumo que acabariam por me levar à monumental Praça de Espanha, com os azulejos representativos de cada província espanhola. Foi aqui que assisti aos primeiros passos de flamenco, embora tenha sido mais tarde que descobri o espetáculo desta arte sevilhana que me fez apaixonar pela cidade. Mantenho vívido em mim o hipnotizante momento em que me arrepiei perante a intensidade do flamenco!

Descobri ainda que Sevilha não se vive apenas com os olhos: vive-se também à mesa. Não sei se serão as melhores tavernas para se comer, mas são as que ainda me fazem água na boca ao recordar esta viagem.

No artigo Sevilha: entre tapas e flamenco no coração da Andaluzia partilho onde comer as melhores tapas, onde assistir a um espetáculo de flamenco intimista, sugestões de alojamentos e o que visitar na capital andaluz.

Sevilhana a dançar Flamenco num dos lugares imperdíveis numa visita a Sevilha

Córdova: da Mesquita-Catedral aos pátios andaluzes (Dias 3 e 4)

A apenas 1h30m de Sevilha, Córdova surge no roteiro como uma cativante paragem pela forma como preserva o seu passado monumental. Antiga capital do Al-Andalus e um dos centros mais influentes do mundo medieval, a cidade é hoje um testemunho vivo da convivência entre as heranças romana, islâmica e cristã.

No interior da inigualável Mesquita-Catedral, encontra-se um labirinto de arcos em terracota e branco que culminam numa catedral renascentista erguida bem no centro da estrutura islâmica, fazendo deste um dos edifícios religiosos mais fascinantes e singulares do mundo hispânico.

Pátio cheio de vasos e flores com um poço no centro
Rua da judiaria de Córdova

Mas o encanto de Córdova revela-se também nas ruelas caiadas da antiga Judiaria, nos recantos fotogénicos como a Calleja de las Flores e nos famosos Pátios de Córdova, oásis repletos de floreiras coloridas e aromáticas. O itinerário pela cidade culmina na travessia da icónica Ponte Romana ao final da tarde, desfrutando da luz dourada a refletir-se no rio e na silhueta dos edifícios no horizonte. 

Para melhor organizar uma visita à Mesquita e aos pátios, saber como explorar a Judiaria e o que provar da melhor gastronomia tradicional (já que em Córdova o salmorejo e o flamenquin não podem faltar à mesa), espreita o artigo Visitar Córdova: dos pátios floridos ao encanto da Ponte Romana.

Ponte Romana de Córdova sobre o Rio Guadalquivir

Granada: a magia da Alhambra e do Albaicín (Dias 4 a 6)

Desde Córdova, conduzi pouco mais de 2 horas até Granada, atraída pelo seu ex-libris monumental, a Alhambra. Embora tenha descoberto depois que Granada, aninhada no sopé da Sierra Nevada, vai muito além deste monumento, de facto a cidade fortificada foi a grande visita e um dos principais momentos de toda a viagem pela Andaluzia.

Esta última fortaleza árabe na Europa, impressionou-me desde logo pela serenidade, a geometria e as vistas do Generalife, tendo-me conquistado por fim pela complexidade dos Palácios Násridas, onde o trabalho delicado na pedra se aprecia ao som da água nos pátios interiores.

Vista ampla sobre a lateral da Alhambra repleta de árvores em tons de outono e montanhas da Serra Nevada brancas ao fundo

Porém, foi apenas no Miradouro de San Nicolás, situado no antigo bairro árabe de Albaicín, que ganhei real noção da dimensão da Alhambra. Já no centro de Granada, percorri as avenidas modernas em contraste com as ruas estreitas onde se encontram as tradicionais tapas grátis a acompanhar cada bebida.

Para uma visita a Granada, não cometas o erro de deixar a reserva da Alhambra para a última hora e não percas os lugares onde podes tapear de forma muito económica! No artigo dedicado a Granada e à Alhambra explico em detalhe como garantir os bilhetes certos, como organizar a visita à Alhambra, como lá chegar, o que ver no Albaicín e no centro de Granada e, claro, as minhas dicas de restaurantes, alojamento e estacionamento.

Pátio dos Leões no interior dos Palácios Nasridas na Alhambra
Estrada para o bairro de Albaicín com casas brancas e um céu azul

Ronda, Pueblos Blancos e o regresso por Sevilha ou Málaga (Dias 6 a 7)

Terminado o ponto mais leste desta road trip pela Andaluzia é preciso regressar. De Granada a Sevilha são cerca de 250km e a minha sugestão é parti-los ao meio para aproveitar o que há de caminho: os Pueblos Brancos.

São um conjunto de aldeias cujas fachadas das casas são tradicionalmente pintadas de branco para repelir o calor intenso do verão andaluz, criando contrastes graciosos com os planaltos ora ocres ora verdes da região. Falamos de Ronda, o que acabei por visitar, de Setenil de las Bodegas, a que o tempo não me permitiu mas que fiquei a dever para uma próxima, de Zahara de la Sierra, de Grazalema e ainda de Arcos de la Frontera.

Dica!

Em alternativa podes regressar por Málaga, como paragem para um banho de sol na praia se estiver em altura do ano para isso, ou mesmo para devolver o carro e apanhar o voo de regresso a Portugal.

Saí de manhã em direção a Ronda onde parei para almoçar aquela que acabou a ser uma das melhores refeições desta viagem. Foi no Restaurante Casa Luciano que comi umas migas rondeñas e um rabo de touro divinais!

Pessoa a sorrir na Praça de Espanha em Sevilha
Prato de migas rondeñas com ovo, presunto, uvas e romã

Para estacionar, optei pelo parque público gratuito nesta localização. Daí foram apenas 15 minutos a pé até à Ponte Nova que cruza o desfiladeiro El Tajo que, com mais de 100 metros de profundidade, é o principal chamariz de Ronda. Esta monumental ponte de pedra do século XVIII une duas metades da cidade distintas, a zona histórica de origem mourisca e o bairro mais moderno. Do cimo da ponte apreciei para um lado a descida vertiginosa que se estende até aos planaltos da Andaluzia… e para o outro lado as colinas que se elevam no horizonte.

Pessoa a sorrir sobre um miradouro com vista para casas encarpadas e amplas montanhas verdejantes ao fundo
Desfiladeiro da Ponte Nova de Ronda com edifício do lado oposto

Antes de seguir para a última etapa desta road trip em direção a Sevilha, desci ainda ao Miradouro del Viento, que me permitiu uma perspetiva diferente da dimensão do desfiladeiro e da construção da afamada ponte de Ronda.

E ainda…

Se tiveres mais um dia, sugiro visitares a Sierra Nevada. Eu não o fiz, mas fiquei curiosa com este Parque Nacional e Reserva da Biosfera que contempla o ponto mais alto da Península Ibérica.

Vista para a ponte desde o Miradouro del Viento, em Ronda

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