Voluntariado

As nossas experiências na Ásia através da plataforma Workaway

Sempre quiseste viajar e ir fazendo voluntariado nalguns lugares? Pois nós também! Por isso é que, desde o início, fazer voluntariado durante a nossa viagem pelo sudeste asiático era uma premissa.

Porquê planear o voluntariado?

Mesmo em países em desenvolvimento e, de forma global, consideravelmente mais pobres do que o teu, não é tão simples quanto chegar lá e ajudar no que for preciso. Isto pode acontecer, mas quase que excecionalmente.

Por um lado, não é fácil chegar a um sítio, perceber logo onde e em que é que podes dar o teu contributo, ganhar a confiança dos locais para que entendam o teu propósito e pôr mãos à obra.

Por outro lado, tu próprio vais querer dedicar o teu tempo e prestar a tua ajuda em algo com um propósito claro, com valores que se coadunam com os teus e que faça sentido para ti… certo?

Além disso, vais querer saber que condições encontrarás: quanto tempo irás trabalhar, em que local, como te vais deslocar para lá todos os dias se necessário, onde ficarás a dormir, onde poderás fazer as tuas refeições, … todas estas questões logísticas geralmente não desaparecem com a tua vontade de contribuir para uma causa.

Sendo assim, o melhor será fazeres (um pouco) de pesquisa e planeamento ​😊

A plataforma Workaway

Na fase de planeamento da nossa viagem, começámos por pesquisar e ler sobre várias plataformas online com projetos de voluntariado. Existem algumas gratuitas como o Hippohelp e o Helpx e existem várias pagas como o WWOOF e o Workaway.

Por nos ter transmitido maior confiança e pela sua forma de organização, acabamos por nos registar no Workaway. Nesta plataforma podes inscrever-te individualmente ou em casal/dupla pagando a taxa anual de 36€ ou 48€, respetivamente.

De seguida, dispões de imensos filtros para pesquisares os projetos de voluntariado aos quais te queres propor. Na página de cada projeto encontras uma descrição com informação sobre o seu responsável, que tipo de ajudam precisam, que tipo de competências deves ter para conseguires dar o apoio de que precisam, onde se situa o projeto, que condições irás encontrar e, se for o caso, o que te será oferecido (por exemplo, refeições e/ou alojamento), quanto tempo (no mínimo ou no máximo) é requerido ou sugerido que fiques, quando têm disponibilidade para te acolher, etc.

Além disso, há uma coisa muito importante para nós que, muitas vezes, influenciou o facto de ficarmos ou não interessados em determinado projeto: os comentários e as críticas de outros voluntários que já lá estiveram.

Escolhidos os projetos, o próximo passo é enviares uma mensagem a cada um deles a apresentares-te e a mostrares o teu interesse em ajudar em determinado período de tempo.

A seguir é esperar por respostas… o que, na nossa opinião, é a parte frustrante deste processo pois, pelo menos a nós, aconteceu-nos de a maior parte dos projetos aos quais enviámos mensagens de interesse nunca nos terem respondido ou não responderem em tempo desejável.

Tendo em conta todo este processo e que muitos projetos têm disponibilidade limitada (por requererem estadias mínimas de uma ou duas semanas e alguns até de um mês; ou então por terem um limite reduzido de voluntários que conseguem acolher ao mesmo tempo e por isso nem sempre existirem vagas), o melhor é começares a enviar mensagens pelo menos com um mês de antecedência. Mensagens, no plural, sim! Até podes ficar muito entusiasmado com um projeto e achares que é O voluntariado que sempre quiseste fazer… mas se não te responderem ou não tiverem disponibilidade para te acolher, o teu objetivo pode sair furado.

Assim, os nossos conselhos são:

  • Escolhe 5 ou 10 projetos com que te identifiques dentro do país ou zona para onde queres ir;
  • Com antecedência (pelo menos um mês), envia-lhes mensagens personalizadas a explicar o porquê de quereres fazer parte daquele projeto e como poderás ajudar;
  • Espera… e se não receberes respostas satisfatórias dentro de duas semanas, repete o processo: pesquisa mais alguns projetos e envia mais mensagens;
  • Até que irás encontrar um projeto que te interessa e que te pode acolher no período que pretendes… depois é só organizares-te e ires 🙂

As nossas experiências de voluntariado Workaway

Quanto a nós, repetimos este processo várias vezes antes de irmos para um país onde queríamos fazer voluntariado.

Inicialmente a nossa ideia era fazer alguns dias de voluntariado em cada país por onde passássemos… o que acabou por não acontecer por diversos motivos. Por exemplo, ao percorrermos o Vietname todo de mota com um visto de apenas 30 dias, não restava tempo suficiente para parar vários dias em cada local, impedindo-nos de ter o tempo necessário para fazer voluntariado. Já no Laos, tínhamos um voluntariado combinado para iniciar quando, uns dias antes, o responsável cancelou pois iria estar fora e não nos podia acolher. Ou na Malásia, onde descobrimos que o país tem tanto para ver e tantos locais que queríamos visitar, que deixámos de parte o voluntariado e simplesmente aproveitámos o tempo todo que lá estivemos para explorar o país ao máximo.

Ainda assim, realizámos cinco voluntariados durante os oito meses no sudeste asiático: três na Tailândia, um no Camboja e um no Myanmar. Todos acabaram por ser experiências muito diferentes e também muito enriquecedoras, quer pelos aspetos positivos como pelos aspetos menos positivos vividos.

Contamo-vos agora, não ao pormenor o que fizemos (pois isso poderão encontrar noutros artigos do nosso blog que iremos sugerir), mas sim como foi cada um deles em termos de experiência de voluntariado.

#1 – Tkla Farm, Surin, Tailândia

Na Tkla Farm fomos acolhidos pela Yung, uma local na casa dos 30 anos, proprietária de uma pequena quinta, com ideias muito boas e até bem modernas para uma aldeia tão pequenina como aquela nos arredores de Surin. Um pequeno festival de música e comida orgânica, a presença em mercadinhos ecológicos, a lojinha com produtos biológicos e as já recorrentes aulas de inglês às crianças da aldeia, são atividades promovidas pela Yung.
As nossas tarefas passavam por ajudar no que fosse necessário na quinta durante as manhãs e ensinar inglês às crianças ao final da tarde. No entanto, estávamos na época seca em que não há trabalho com a produção de arroz e, além disso, era a semana anterior à festa de inauguração da loja da quinta por isso a Yung andava demasiado atarefada para nos orientar. Então aconteceu muitas vezes de estarmos na quinta às 6h30m da manhã para o pequeno-almoço (sempre delicioso!) mas esperarmos horas até nos ser atribuída uma tarefa concreta para fazer. Claro que procurávamos sempre ser pró-ativos e arranjar qualquer coisa em que achássemos que podíamos ajudar… mas depois de alguns dias a fazê-lo, começou a não ser fácil ocuparmo-nos sozinhos, o que criou aquele sentimento de impotência e de desaproveitamento daquele tempo em que estávamos ali disponíveis e com vontade de trabalhar.

Em termos de propósito de voluntariado não foi a melhor experiência mas foi, sem dúvida, uma semana muito enriquecedora a nível pessoal por termos sido colocados naquela situação, termos de lidar com ela e aprendermos com isso… além da parte mais entusiasmante e que nos fazia sentir que tudo valia a pena: aquela hora ao final da tarde com aquelas crianças ❤️

Lê mais sobre esta semana de voluntariado no artigo Mais que Turistas.​

#2 – Flower of Life, Kampot, Camboja

No Flower of Life fomos recebidos pelo Ben, um inglês jovem que se mudou para o Camboja há uns anos e comprou um pequeno terreno. A sua ideia era criar uma quinta de permacultura, mas isto ainda não passava de uma ideia. Na altura precisava de ajuda na organização e limpeza do terreno assim como na construção de infraestruturas.

Além do Ben, viviam lá a Fary e o Maestro que eram os “caseiros” e, só naquela semana, passaram por lá cerca de 12 voluntários. Durante uma semana trabalhámos cheios de vontade no terreno, contribuindo também com as nossas ideias, e fomos desenvolvendo amizades com os restantes voluntários.

No entanto, desde início que notámos algo de estranho no Ben. Era uma pessoa cheia de ideias ecológicas e ideais até revolucionários, mas muito pouco concreto naquilo que desejava concretizar no seu terreno… o que nos fez sentir que o projeto não teria pernas para andar.​

Neste caso, cada voluntário tinha de pagar 5 dólares americanos por dia para lá ficar. Por um lado, 5 USD não é muito considerando que dispúnhamos de um sítio para dormir (muito básico mas suficiente) e de pequenos-almoços, almoços e jantares deliciosos cozinhados pela Fary. Mas, por outro lado, também não era pouco, tendo em conta que estávamos a dar o nosso tempo e trabalho de forma voluntária para contribuir para aquele projeto. E, segundo as normas Workaway, os responsáveis pelos projetos não estão autorizados a exigir dinheiro aos voluntários.

Entretanto, já após termos saído de lá e continuarmos a nossa viagem, viemos a saber através de outros voluntários que o Ben começou a afastar-se das ideias que tinha inicialmente. No local onde iria ser a quinta já estava montando um bar e aquele parecia vir a ser um local mais para festas. Entretanto procuramos acompanhar o desenvolvimento do projeto e ficamos felizes por ver que o Ben voltou às suas ideias iniciais para o terreno e que, de facto, está a levar a cabo algo semelhante ao que se tinha proposto inicialmente, notando que está até a ter um bom desenvolvimento. Podem ficar a conhecer este projeto no website do Flower of Life.

Para nós, ficaram ainda as ótimas memórias desta semana em que nos divertimos e aprendemos imenso a trabalhar com aquelas pessoas que se tornaram em amizades muito boas e com quem ainda hoje mantemos contacto 😊

Lê mais sobre esta experiência de voluntariado no artigo Azul Turquesa.

#3 – Oxotel, Chiang Mai, Tailândia

Oxotel é um boutique hostel em Chiang Mai que, na altura em que lá estivemos, pretendia dinamizar as suas redes sociais e promover algumas atividades de maneira a atrair mais clientes e a alargar o seu público-alvo.

Estivemos lá também uma semana e, desta vez, muito bem alojados 😋 Apenas trabalhávamos as manhãs, tendo as tardes para explorar a fantástica cidade de Chiang Mai.

Não nos foram dadas tarefas concretas mas nós sabíamos qual era o objetivo do nosso trabalho. Então criámos um plano de marketing para o Facebook do Oxotel e, como sabíamos que o staff do hostel tinha pouca experiência nas redes sociais e tinha poucos conhecimentos para escrever em inglês, deixámos linhas orientadoras sobre como poderiam, posteriormente, fazer a gestão destas redes. Como atividades, entre outras sugestões a desenvolver, ​criámos principalmente uma noite de cinema semanal.

Achámos que fizemos um bom trabalho e o responsável pelo hostel ficou contente com as nossas ideias e com o plano que realizámos… no entanto, foram colocados muitos entraves para a realização da noite de cinema, que acabou por não acontecer enquanto lá estivemos. E, segundo o que fomos acompanhando, achámos que nunca chegou a acontecer.
Além disso, as ideias que tivemos e o plano que criámos para o Facebook também nunca foi aplicado 😞​ O que nos deixou com alguma pena, pois sabemos que o hostel tem muito boas condições e poderia alcançar um sucesso muito maior… para isso, teriam que ter permanentemente um staff mais dinâmico de maneira a conseguirem promover melhor o espaço fantástico que o Oxotel tem.

Esta foi uma experiência de voluntariado diferente pelo seu âmbito e que nos permitiu ficar a conhecer melhor a forma de trabalhar dos tailandeses.

#4 – Inthanon Hostel, Chomthong, Tailândia

Em Chomthong, perto de Chiang Mai, tivemos a experiência de voluntariado mais curta de todas e nuns moldes completamente distintos das restantes.
Após enviarmos uma mensagem de interesse ao Inthanon Hostel, o Mana, responsável pelo hostel e muito bom cozinheiro, respondeu-nos com uma proposta diferente: durante dois dias termos aulas de cozinha tailandesa no hostel a um preço super reduzido e filmarmos e fotografarmos as aulas para eles depois eles terem material de promoção das suas aulas de culinária.

As aulas de culinária são uma atividade bastante comum em Chiang Mai, então pensámos nós que iriamos filmar e fotografar um grupo de pessoas em aula, enquanto também participávamos. Mas enganámo-nos: nós éramos os modelos, fotógrafos, alunos e únicos participantes! 😋

Foram dois dias muito divertidos, em que aprendemos várias receitas típicas tailandesas e comemos muito muito bem! Além de muitas fotos, conseguimos produzir um vídeo que, posteriormente, o Mana utilizou na promoção das suas aulas de culinária. Apesar de curtinha, adorámos esta experiência! 

#5 – Centro de Meditação Thabarwa, Yangon, Myanmar

Esta foi, sem dúvida, a experiência de voluntariado que mais nos marcou!

​Neste artigo não nos vamos alongar sobre este voluntariado por não conseguirmos fazer o mesmo tipo de descrição a esta experiência como as que foram feitas às anteriores.

Esta é, simplesmente, um exemplo concreto do que desejávamos fazer enquanto voluntários que correspondeu totalmente às nossas expectativas. Podes ler tudo sobre esta semana memorável em Thabarwa aqui.

Em suma…

As nossas experiências acabaram por ser sempre positivas, se calhar também fruto do trabalho de pesquisa prévio que sempre fizemos na plataforma Workaway. E é por isso que, com este artigo, pretendemos dar-vos a conhecer esta plataforma e dar-vos as nossas recomendações para quando a usarem.

Mas, mais do que isso, quisemos aqui partilhar convosco as nossas experiências de voluntariado de forma sincera e transparente, com os seus aspetos mais positivos (que acabam sempre por vencer!) mas também com os aspetos mais negativos que, inevitavelmente, acabam por acontecer.

Esperamos que, com eles, estejam mais preparados para as situações que poderão encontrar nas vossas experiências de voluntariado… mas, se não estiverem, também não faz mal: procurem sempre tirar o melhor delas!  ​​🙂

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